"Se não procurarmos a verdade, nunca poderemos chegar à justiça."
Mahatma Gandhi

Paz ambiental

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por Nina Rosa

20 de março de 2009

Nossos irmãos dos reinos animal, vegetal e mineral, parceiros de Planeta precisam muito de nossa atenção. Eles precisam ser vistos e ouvidos, não apenas como imagens distantes, num documentário, mas como seres reais, que dependem de nossa ajuda para viver. Estão sendo massacrados, não podem se defender sozinhos e nós estamos fazendo parte disso, de uma forma ou de outra.

Os minerais estão sendo literalmente detonados, os vegetais arrancados e queimados ou contaminados, os animais estão sendo assassinados. Todos estão sendo explorados com fins especulativos. Da mesma forma estamos tratando as águas, responsáveis pela subsistência de toda a vida que existe.

Para sermos éticos com esses parceiros, precisamos perceber sua existência como parte de nós mesmos e perceber a dor que podemos, embora sem querer, estar provocando neles, ao apoiarmos produtos e empresas que são seus predadores. É preciso que nos importemos com eles; não só porque desse equilíbrio depende nossa existência. É necessário incluí-los no nosso universo, na nossa família planetária.

Eles todos se comunicam conosco, de alguma forma, chamando nossa atenção, e só poderemos perceber isso se tivermos ouvidos para ouvir, olhos para ver e sensibilidade para sentir. A tristeza que sentimos ao ver um riacho poluído é também a manifestação do que ele está sentindo: tristeza e impotência.

A paz ambiental começa no indivíduo, em cada um de nós. Por isso é que, para sermos efetivamente úteis a qualquer causa que abracemos – muitos de nós abraçam a causa da defesa animal –, deveríamos olhar o nosso interior e ir resolvendo nossas questões internas, procurando esclarecer para nós mesmos o que somos e a que viemos. Será que viemos a este Planeta para repetir tudo aquilo que vimos repetindo há séculos e que já conhecemos tão bem: trabalhar, comer, dormir, casar, procriar, alheios a tudo que se passa fora de nosso pequeno círculo? Ou será que temos dentro de nós ainda um outro anseio, menos pessoal, mais altruísta? Se defendemos alguma causa, com que grau de comprometimento nos doamos a ela… não doamos nada? Doamos o que nos sobra? Negociamos nossa doação?

Paz ambiental, ou a falta dela, é consequência das nossas escolhas, desde as mais simples ações do dia a dia:

- o recolhimento e descarte adequado do cocô de nosso cão;

- a quantidade de água que usamos: quando se “varre” a calçada com a mangueira de água, por 15 minutos, são gastos 280 litros;

- a quantidade de lixo que geramos: a cidade de São Paulo produz 12.000 toneladas diárias de lixo;

- onde escolhemos aplicar nossa energia financeira: o que será que os Bancos fazem com nosso dinheiro… utilizam para ações que condenamos? (Emprestam para comprar armas? Para promover desmatamento e pecuária? Para empresas que financiam rodeios? Para construir laboratórios de testes em animais? Não sabemos.)

A paz ambiental pode estar também na procedência dos produtos que compramos: será que trazem embutida exploração animal em forma de testes ou ingredientes? Será que trazem trabalho humano escravo? Trabalho infantil?

Quando escolhemos comprar grãos (e seus derivados) geneticamente modificados, os transgênicos, é importante saber que a multinacional que comercializa as sementes pratica o monopólio – proíbe os agricultores de guardarem as sementes para replantar; eles são obrigados a pagar royalties sobre suas próprias sementes cultivadas ao longo de anos por gerações e a usar os defensivos agrícolas (muito danosos a tudo que vive) produzidos por essa multinacional, que está se apropriando do mercado mundial de alimentação, sendo hoje a maior produtora de sementes do mundo. Sem falar em todas as outras implicações de efeitos nocivos dos transgênicos para todos os reinos da Natureza.

Aos interessados pelo assunto indico a leitura do livro O Mundo Segundo a Monsanto, da autora francesa Marie-Monique Robin (2008). É possível também assistir ao vídeo homônimo pela internet. Há também outros vídeos: Hormônios Impostores e Agressão ao Homem, este último transmitido pela BBC em 1996 (internet)

A paz ambiental, ou a falta dela, é ainda consequência da quantidade de lixo em forma de energia negativa que despejamos diariamente no universo – quando reclamamos, cada vez que somos competitivos no trânsito, no trabalho, que falamos mal de pessoas, que deixamos de ter fé na vida, em nós mesmos, na nossa infinita capacidade interior etc.

O macroambiente saudável é gerado pelo microambiente saudável. Nós é que geramos o que se vê aí.

Se queremos realmente mudar isso e evoluir para fazer parte dos que colaboram para a paz ambiental, devemos permitir que nossa compreensão se expanda além dos níveis presumíveis e inclua outros planos, outros planetas, outras dimensões, para então trabalharmos em conjunto, inspirados, guiados pela nossa intuição. (continua)

maos
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